quarta-feira, janeiro 6

Olhares





Tem certos dias
 que me pego olhando torto 

 para as pessoas.
Bate em mim um pouco caso
 descaso
não desejo compreendê-las
 fico mesmo
sem vontade de entendê-las
 e de conversar com elas.
Tem momentos que 
adultos cansam-me
os sinto frios e enfadonhos
acho que mentem 
e enganam a si mesmos.
E então
singularmente
prefiro as crianças
pelo
descompromisso com a vida
alheias à crise 
nem sabem da existência da bolsa
ou do bolso
sorridentes sempre
tentam levar os pais
na maciota
fazer deles seus subordinados
que lhes satisfazem vontades
e caprichos.
Por vezes sou cumplice delas
quando as vejo
escondendo suas peguiças
seus poucos casos com os estudos
devagar, 
correndo apenas atrás do seis
a nota mínima para passar.
Tenho olhado as crianças 
e desgostado dos grandes
elas tem o riso frouxo
e falam esperançosas
como se o mundo fosse flores
como se fosse fácil
a vida.
Bem que a vida podia andar ao contrário
no relógio do tempo...
poderíamos nascer velhinhos
e virar crianças no final
para que tudo tivesse sentido
para que pudéssemos chegar ao fim
alheios à tantas dificuldades
e para que pudéssemos ser inteiros
transparentes
e abrir a boca num choro ensurdecedor
até sumirmos 
num final xx 
ou xy
para sermos lembrados apenas
pelo ultrassom da vida!

Nenhum comentário: